segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Tererê



O tereré ou Téres é uma bebida feita com a imersão da erva-mate (Ilex paraguariensis), de origem guarani. É consumida diariamente com água gelada, sucos, hortelã (Mentha arvensis), cedrón (Lippia citriodora), peperina hortelã, limão, coco (Allophyllus edulis), até adicionada a alguns refrigerantes entre outros.
A grafia vem do guaraní, terere. Enquanto que em português o correto pode ser tanto tererê, como tereré, dependendo da região do Brasil; no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul se diz tereré, enquanto no Paraná o mais comum é tererê.
A origem do tereré data da invasão europeia por castelhanos e portugueses, quando era usado pelas tribos guarani, nhandeva, kaiowá e outra etnias chaquenhas, muito antes da Guerra do Paraguai e da Guerra do Chaco (entre Paraguai e Bolívia, 1932-1935), quando as tropas começaram a beber mate frio para não acender fogos que denunciariam sua posição, isso possivelmente na região de Ponta Porã, que na época pertencia ao Paraguai.
Diferentemente do chimarrão, que é feito com água quente, o tereré é consumido com água fria, resultando em uma bebida agradável e refrescante. Em sua produção, a erva mate utilizada no preparo do tereré difere da utilizada no chimarrão por ter de ficar em repouso por volta de oito meses, em local seco, e de ser triturada grossa depois disso. Devido ao fato das folhas serem cortadas grossas, ao contrário do chimarrão, o tereré não tem tantos problemas com o entupimento. Quando isso ocorre, geralmente é devido a uma grande quantidade de mate em pó, indicando má-qualidade da erva usada.

Tradicionalmente, o recipiente usado para servir o tereré é a guampa, fabricado com parte de um chifre de bovino, com uma das extremidades lacrada com madeira ou couro de boi, e o seu exterior revestido por verniz. Usa-se também copos de alumínio, vidro, plástico, ou canecas de louça.


A bomba é utilizada para filtrar a infusão do tereré, para que não se absorva o pó da erva triturada. As bombas são feitas normalmente de alumínio e nunca devem ser feitas de ferro por causa da oxidação, que altera o sabor da infusão. Também é possível encontrar bombas feitas de ouro, prata, alpaca , aço inox e também de plástico descartável.
Tanto a bomba quanto a guampa podem ter adereços com figuras dos símbolos da família, iniciais de nome ou pedras preciosas.
Embora a palavra "guampa" seja comum em uma área em que a influência predominante é guarani, sua origem é do quíchua, em que significa "chifre". O chifre bovino é freqüentemente utilizado como recipiente em todo o Cone Sul. O chifle (uma espécie de cantil utilizado na Argentina), por exemplo, é feito de chifre de boi.

3 comentários:

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  2. Sou paranaense e quando mais jovem tomava tereré, e digo com a certeza de experiência de causa.

    O bom e velho Chimarrão é infinitamente superior ao pueril tereré.

    Por motivos bem claros, como a Tradição, os ritos de Mateadas, Roda de Chimarrão, o próprio Sabor e Qualidade da Erva Mate utilizada se comparada ao do tereré e por último, sem falar no fator INFUSÃO, que no tereré não existe e por isso não vejo sentido em tomá-lo.

    Conclusão...Um sábio ansião toma Chimarrão
    Um piá, sem cabeça nem pé, bébe tereré (rsrsrsrsrsrs)

    O Chimarrão esta para o tereré assim como o Vinho esta para um suco de groselha. (rsrsrs)


    Gracias...André Dias ferrefisio@yahoo.com.br

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  3. Descordo do André no seguinte ponto: infusão.

    O preparo da erva para tererê permite, sim, a dissolução do sumo pela água gelada. A umidade perdida excessivamente nos meses de descanso permite isso.
    Entratanto, o preparo para chimarrão impede que água fria retire o sumo das partes vegetais, sendo nesse caso, o uso de água quente. As ervas são distintas e as bebidas também, não há comparação.

    Lamentavelmente, os brasileiros não valorizam o pontencial da erva mate senão para o chimarrão e o chá matte leão (para quem não sabe é erva mate).
    Essa ignorância nos faz perder espaço para outros países que exploram e geram produtos de alto valor agregado, comercializado na Europa e na América do Norte.

    Enfim, o tereré é uma bebida interessante, assim como meu amado chimarrão. Outras que venham (não precisa ser só bebida) são bem vistas, pois contribuem para o consumo da erva mate.

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