terça-feira, 24 de abril de 2012

24/04/2012 - Dia do Chimarrão (e do Churrasco)

Olá amigos!! Hoje farei uma postagem bem rápida, apenas pra deixar meu registro sobre o Dia do Chimarrão e do Churrasco .

Por lei, nesta data (24/02) comemora-se o Dia do Chimarrão e do Churrasco (LEI N°11.929), duas das principais marcas da tradição gaúcha. Heranças dos indígenas, que povoaram estes pagos muito antes dos espanhóis aportarem onde hoje é o Rio Grande do Sul, o Uruguai, a Argentina e o Paraguai, esses costumes estão muito enraizados até hoje, sendo estes hábitos conhecidos mundialmente.
Sempre propondo a integração entre as pessoas, o chimarrão faz parte do nosso cotidiano. Afinal, não há nada melhor do que uma boa roda de mate com os amigos, colegas de trabalho, de aula...Sem contar nos benefícios para a saúde, que são alvo de estudos cada vez mais intensos. O chimarrão, acima de tudo, é um ritual. Primeiro, pela escolha da cuia: se é pra muita gente, uma cuia maior, que não lave tão cedo. Se é pra poucas visitas, uma cuia menor, para que todos tomem. E para o mateador solito, qualquer cuia serve, pois este realmente não o sorve por moda, mas sim por convicção e afeto à este símbolo. A bomba acompanha o tamanho da cuia, e existem várias: a de prata, com bocal de ouro, a de prata inteira, as que possuem pedras preciosas, as de aço inox (inovadoras), os rústicos tacuapys, forjado pela mão indígena...Enfim, as partes masculina e feminina se encontram para que a infusão verde una os pensamentos, aqueçam a alma e relembrem  fatos passados. A erva, o presente de Tupã para os homens, a revigorante planta, que já foi dita a "erva-do-diabo", pelos jesuítas que se impressionaram com o vigor dos índios quando da lida bruta, em suas tentativas de catquisação daqueles pobres seres. E, por fim, a água, que não pode ser nem muito quente, para não queimar e pretear e a erva, nem muito fria, para que não ocorram imprevistos estomacais, salvo o velho tereré paraguaio, feito com erva específica para tal. Enfim, são fatores que juntos ajudaram a formar a identidade gaúcha, platina. Um ato que no passado reuniu índios e padres, generais e soldados, estancieiros, capatazes e peões, presidentes, deputados...E hoje junta num mesmo ritual jovens, velhos, crianças, homens, mulheres, chefes, funcionários, colegas, parentes, desde a menina moça de família rica até os punks da Redenção, do serrano ao litorâneo, do fronteiriço ao missioneiro...Uma tradição além-fronteiras, um elo com a história sul-americana.

Para encerrar, uma poesia de Omair Trindade:


O Mate
De: Omair Trindade
Das gargantas do Guairá
Se esparramou por aqui
Era o caá o caá-y
quente ou frio, conforme o caso,
banhando em verde o ocaso
Da conquista guarani
Era a América, era a selva
A cachoeira desatada
O chão da terra molhada
Verde e eterna no seu pranto
A erva, o remédio santo
de uma raça violentada
Era o ronco do porongo
na pororoca do rio, sapucay e desafio
do índio que resistia
honrando a terra bravia
Bronzeada no sol do estío
mas era também a paz
o sumo, o doce da flor
no verde jade da cor
a oferta estuante de vida
na mão, a cuia estendida
foi sempre um gesto de amor
De hermandaria aos jesuítas
de Assunção ao Iguaçu
restou em maracajú a
essência mesma da terra
em toda a inúbia de guerra
dos índios de Tiarajú
Quando, quando o Rio Grande nascia
já no século XVIII
trazendo num gesto afoito
fome de pátria e fronteira
cortava a cuia campeira
de um fruto em forma de oito
o gaúcho que surgia
como um centauro do chão
abrindo rumo à facão
pelas páginas da história
já alvoreceu para a glória
tendo uma cuia na mão!
Ao desenhar a fronteira
do Brasil e da Argentina
do Uruguai, a cristalina
vertente do Conesul
deu ao Rio Grande do Sul
o galpão como cantina.
E no galpão foi o mate
cachimbo da paz e flor.
Foi a fonte de calor
que irmanou americanos
fazendo todos “hermanos”
no mesmo ritual de amor.
E até nos tempos de guerra
houve pausa para o mate
a noite depois do embate
as mãos fortes estendidas
se esqueciam das feridas
rabiscadas no combate.
Quando o gringo aqui chegou
atrás de paz e de pão
violando mato e o sertão,
cruzando o vale e a serra,
bebeu a seiva da terra
na cuia do chimarrão.
E quando o gaúcho viaja
entre os trastes de conjunto
antes de qualquer assunto,
até no fiambre de viagem,
se o mate vai na bagagem
é o Rio Grande que vai junto!
Assim é o mate
foi Deus quem inventou o chimarrão
e o índio, nessa ocasião,
quando a saudade se expande
tem o mapa do Rio Grande
na palma da própria mão!



Um comentário:

  1. bom dia
    sou mineiro e encontrei por acaso teu blog, ao pesquisar pela erva mate TERTÚLIA, por sinal, a melhor encontrada nos mercados de UNAI-MG- NOROESTE MINEIRO.
    FAÇO uso desde 1990, e ja fiz uso de umas 30 qualidades, na sua lista acima, ja tomei, TERTULIA; BARÃO, CRISTALINA, E XIMANGO, sendo que a melhor de todas foi esta última - XIMANGO. Postei um assunto sobre o Chimarrão em meu Blog: Unaienses, da uma olhada depois e manifeste nos comentários, ok? o Link é o seguinte:http://unaienses.blogspot.com.br/, a partir dele conheça os demais blogs que tenho: lá você encontra os links nas laterais. ORNITOLOGIA; FAMA; JISOHDE FOTOGRAFIAS. Obrigado
    abraços!
    Jisohde G. Posser - 120531

    ResponderExcluir